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Akinola Davies Jr. fala de A Sombra do Meu Pai e cinema nigeriano

30 de August de 2026 9 leituras
Akinola Davies Jr. fala de A Sombra do Meu Pai e cinema nigeriano
Foto: Dr. train / Pexels

Com seu primeiro longa-metragem, A Sombra do Meu Pai, o nigeriano Akinola Davies Jr. já é uma das grandes apostas do cinema contemporâneo. Foto: GABRYEL SAMPAIO

pj: esse olhar também aparece na forma com que você fala da sua equipe e dos seus pares. durante muito tempo, o diretor foi visto como o grande autor de um filme, mas você insiste em dividir esse espaço.

adj: Acho que uma das maiores lições dessa jornada é o equilíbrio entre o ego e o coletivo. Existe essa ideia de autor, de “meu filme”, mas eu não sou autor sem as pessoas que também colocaram arte nele. Então, como diretor, tento usar minha voz, que é a mais forte no processo, para defender todo mundo. Se você se cerca de artistas, eles vão levá-lo além do que você imaginava. E eu quero continuar fazendo isso, especialmente em um lugar como a Nigéria, onde há muitos artistas e mais produções comerciais do que independentes.

pj: você já viajou bastante com o filme por diferentes países, qual é a sensação de ver o alcance da sua história para além do circuito tradicional do cinema independente?

adj: Acho que o nosso filme ocupa um lugar único. Ele é feito por mãos nigerianas, conta uma história de lá, mas também nasce em um contexto britânico. Essa mistura permitiu que A Sombra do Meu Pai tivesse uma vida maior. Priorizamos exibições para comunidades africanas, públicos da classe trabalhadora e outras pessoas que normalmente não são priorizadas nesse circuito. Existe uma ideia de que esses públicos só se conectam com produções comerciais, mas vimos que isso não é verdade.

pj: é justamente nesse lugar de comunidade que a conversa cresce…

adj: O filme continua pequeno em escala, mas sua força está na comunidade. As pessoas que assistem e falam sobre ele são o melhor marketing possível. Eu faço questão de falar com o público, ler as críticas, acompanho tudo! No Brasil, por exemplo, exibir o filme em cidades como Recife fez muita diferença. As iniciativas com trilhas sonoras reinterpretadas por músicos locais tornam o filme ainda mais vivo e conectado ao público.

pj: como você se sente ao ver uma história pessoal ressoando em um público tão heterogêneo?

adj: É avassalador. Às vezes, assisto ao filme e penso “isso era algo que fizemos para nós”. Mas, nas sessões, você ouve o público chorando, suspirando, rindo, reagindo… e percebe que, além de raça, classe ou etnia, existem experiências comuns que não têm muito espaço para serem discutidas. Muitos me dizem que se identificam com a ausência do pai, com deslocamentos, com dinâmicas familiares. O filme também tem sido um processo de cura para mim. E eu gosto de não explicar tudo. Queríamos que o público tivesse espaço para interpretar.

Rodapé editorial

Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de harpersbazaar.uol.com.br.

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