Morre o diretor Tony Gatlif, que explorou a cultura cigana nos cinemas, aos 77
O cineasta Tony Gatlif, defensor da cultura cigana e autor de mais de 20 filmes —alguns rodados na Espanha— em que a música sempre teve papel de destaque, morreu nesta quarta-feira, aos 77 anos, informou sua família à AFP nesta sexta.
O diretor morreu em Arles, no sudeste da França, enquanto trabalhava em um projeto de filme histórico.
"A beleza de seus filmes, sua generosidade, sua alegria, sua poesia e seu amor pela música permanecerão para sempre em nós", disseram sua esposa, seus filhos e seus netos em um comunicado.
Eles também lhe desejaram "latcho drom", que na língua do povo cigano significa "boa viagem" e é também o título de um de seus filmes.
Desde 1975, dirigiu 25 filmes, como "O Estrangeiro Louco", de 1997, e "Exílios", com que venceu o prêmio de melhor direção em Cannes. Seu último longa-metragem, "Ange", estreou em 2025.
Seu primeiro longa-metragem, "Corre, Gitano", foi rodado na Espanha, em Granada, com o dançarino de flamenco e coreógrafo Mario Maya.
Anos depois, ele voltou à Espanha com "Vengo", rodado na Andaluzia e com o dançarino de flamenco Antonio Canales.
Em seu cinema, profundamente social, a música sempre teve grande importância, como o flamenco em "Vengo" ou o rebético, uma tradição musical grega, em "Djam".
Michel Dahmani, seu nome de nascimento, veio ao mundo em 10 de setembro de 1948, na Argélia, filho de pai cabila e mãe cigana.
Após deixar a Argélia, viveu alguns anos como andarilho, como ele próprio contou, até chegar à França, onde descobriu o teatro e o cinema.
"Travei uma batalha contra meu destino, contra mim mesmo, e isso não é pouca coisa", declarou à AFP em 2021.
Seu filme mais conhecido, "O Estrangeiro Louco" é uma homenagem à música cigana, "uma música que grita o medo e a dor de um povo cuja alma dói", segundo Gatlif.
O filme narra a busca de um jovem francês idealista, interpretado por Romain Duris, que segue os passos de uma cantora que encontra em um acampamento cigano na Romênia.
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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de redir.folha.com.br.